Por que fingir que é dor a dor que deveras sinto? Encobrir com Eus poéticos e líricos um único Eu sofredor? É fato que um observador, indiferente, narra os fatos com mais clareza, mas quem quer a clareza indiferente? O sofrimento, a dor, o pranto, o orvalho transformado em tempestade, este sim toca a alma, estremece as tripas, gela a espinha e dilata as pupilas. Quem melhor que o próprio sofredor para narrar seu sofrimento? A realidade distorcida, exagerada, de um autor abafado, recebe “vida” em uma personagem, uma voz, uma fantasia desmedida. Mas feita na medida certa para esconder um fingidor que finge fingir que é dor a dor que há muito não sente.
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2 comentários:
Isso aqui ficou mto bom... mto bom msm... ^^
"Quem melhor que o próprio sofredor para narrar seu sofrimento?"
talvez bentinho tenha pensado exatamente isso. e sabemos no que deu. ou melhor, sabemos de nada.
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